sábado, 28 de março de 2020

TRANSFORMAÇÃO





...todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; ... e o Senhor lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. (Êx 15.23 e 25)

            Quantos amargores, nós já não experimentamos! Adversidades familiares, perseguições profissionais, revezes relacionais, entre outros, são apenas algumas das complexas dimensões enfrentadas por qualquer um de nós, mas também, por todos nós! Uma vez que, a ideia da grama mais verde é só um mito, uma projeção do desejo interior, sobre a conjuntura exterior. Os fatos por vezes são bem diferentes! Eles são reais, duros e frios. Razão pela qual muitos são abatidos e uma vez prostrados não possuem forças para levantarem-se.
            Nos diz as Escrituras: todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas;”. As decepções e frustrações, as incertezas e dúvidas nos consomem de tal forma, que passamos a viver uma vida subjugada ao medo e ao pavor, onde a angustia e o pânico nos exaurem as alegrias, minam as forças e afadigam as motivações para viver. Nos tornamos inertes, tanto na alma, quanto na volição. Uma vida pautada na ausência de sonhos e de movimentos, não passa de uma vida vegetativa. Sem sabor algum, completamente absorta. Isolados de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos. Assim, em meio das insatisfações, das mau carências e querências, vamos nós caminhando e tropeçando, todavia sem reconhecermos, que na verdade, o que estamos tentando fazer é fugir desesperadamente, para um lugar que nos ofereça abrigo e conforto, que não conseguimos encontrar! E a essa altura, já estamos inteiramente entregues, nosso semblante revela muito mais do que os sinais de um tempo passado, também revela as cicatrizes das aflições do coração e o colorido das feridas apostemadas da alma, que ainda ardem em súplica pela restauração! Esse é o retrato de uma vida amarga!
            Os Oráculos divinos revelam que: “o Senhor lhe mostrou uma árvore”. O Senhor mostrou a Moisés o meio pelo qual a transformação acontece. Não possuímos recursos a partir de nós mesmos para mudar! Sabemos que a transformação não é fruto do nosso empenho, ou da nossa perseverança; nem da nossa vontade, ou da intensidade de nossas ações. Caso dependesse de nós estaríamos e continuaríamos perdidos, logo aquilo que necessitamos, também está além de nós, ainda que tão próximo a nós! Assim, o que necessitamos é da Pessoa Santa e Bendita de Jesus! Pois Ele é: O Justo que nos perdoa os pecados e nos purifica de toda injustiça (1Jo. 1.9); Quem se compadece de nossas fraquezas (Hb 4.15); O nosso único e suficiente Mediador (1Tm 2.5); O Cabeça da Igreja (Ef 1.22); Que nos amou primeiro (1Jo 4.19); Quem nos aperfeiçoa, firma, fortifica e fundamenta (1Pe 5.10); Que nos gerou pela Palavra da Verdade (Tg 1.18); Que nos escolheu e nos faz frutificar (Jo 15.16). Jesus é o meio pelo qual fomos alcançados, perdoados, libertos, salvos, enfim transformados.
            O texto nos assevera ainda que: “as águas se tornaram doces”. E uma ação completa de Deus. Sua maravilhosa e benfazeja graça nos toma de tal forma, que nossa natureza é demudada, modificada, alterada em sua essência. Ele nos transforma! Louvor e glória pois Lhe sejam tributados. Pois é Deus que em nós opera grande obra. Ele nos demove: do império das trevas, para o Reino do Céu (Cl 1.13); da maldição do pecado, para a benção da Graça (Rm 6.14); da condição de filhos da ira (Ef 2.3), para filhos de Deus (Ef 1.5); da velha natureza, para a nova natureza (Rm 5.12-21). É Ele que age e nós é que “sofremos” Sua ação. Ele é ativo, nós passivos. Entretanto, quando Ele intervém, aquilo que estava em desordem, que padecia em meio ao caos, que se esvaia ao ponto da mais completa estagnação. De forma sobrenatural é modificado, deixa de ser o que era, uma caricatura! Para agora, após a ação plena do pleno Deus, passar a ser e a existir de forma completa e perfeita. Deus é o agente da transformação!
            Eu e você precisamos de Deus. Nós carecemos do Senhor em nossas vidas. É Ele quem opera a mudança em nosso ser. Ele acrescenta em nós a nova, santa e perfeita natureza de Cristo. Para que como transformados, possamos viver nova vida. Uma vida plena e transbordante, através do Espírito de Cristo. Para que assim possamos nós viver, vida santa, piedosa e agradável ao Senhor. Leia as Escrituras, ore, jejue, congregue junto aos irmãos, partilhe do pão e do fruto da videira, cultive os frutos do Espírito, seja um abençoador, pois as amarguras de uma vida distante de Deus, em nada se compara a uma vida de pleno dulçor aos pés de Cristo Jesus, o Senhor!
            Em Cristo Jesus, Senhor da seara. Vosso conservo, Rev. Eugênio Honfi.

sexta-feira, 27 de março de 2020

SENHOR: ABRE MEUS OLHOS E PURIFICA MEU CORAÇÃO!






“Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja.” (Lc 18.41).



Diz o adágio popular: “O pior cego é aquele que não quer enxergar”. Vivemos atualmente dias de profunda dificuldade e insegurança. Em todo o mundo observa-se aumento da violência, crescimento da corrupção, degradação da família, desfazimento da moral e dos valores. A arrogância, a prepotência, a vaidade e o orgulho têm engolfado os corações e as mentes.

Como resultado desse catastrófico quadro, a desobediência e a rebeldia ocupam o centro do palco e das almas daqueles que tomados por Lúcifer, vem causando divisões, porfias e contendas, por quaisquer lugares em que passem, destilam sua peçonha mortal e infernal. Todavia não devemos estranhar, mas ao contrário, guardar a advertência feita pelo apóstolo Paulo, ao jovem pastor Timóteo (2Tm 3.1-5): “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta- te também desses”.

É nesse sentido, que todos nós precisamos urgentemente suplicar a Deus que nos esvazie de pressuposições tolas, de doutrinas alheias as Escrituras, da vacuidade pecaminosa, que causa separação, entre nós e Deus, bem como, entre nós mesmos. Que o Senhor intervenha, abrindo nosso entendimento a Sua Palavra, inclinando nosso coração a amá-Lo, aquecendo nossa alma, ante a frieza gélida da soberba, nos conduzindo através do Seu Espírito e faça-nos transbordar em “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade. mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23)”. Trazendo-nos a memória as características, do cristão, descritas por Jesus, no sermão da montanha: As Bem-aventuranças.

Enfim, que Deus nos dê a compreensão de que, quando a tradição invalida o mandamento de Deus é porque a honra é só da boca para fora, pois o coração está longe d’Ele. Então é da vontade de Jesus, honrarmos a Deus e não as tradições. Nas palavras de John MacArthur: “Quando as falsas doutrinas não são combatidas, elas geram mais confusão e atraem mais pessoas superficiais e insinceras para dentro do aprisco”.

Que o Senhor purifique sua Igreja dos lobos e de seus falsos ensinos. Supliquemos: - Senhor, que eu veja! E assim os olhos do nosso coração sejam abertos, a fim de que contemplemos a beleza do Senhor em Seu Ser, mas também em Seus poderosos feitos! Que possamos nós olhar para acima das densas nuvens de desconfiança e contemplemos Aquele que é o Sol da Justiça! Aquele que não sofre mudança, pois Ele é Perfeito! Dia a dia nos aperfeiçoa e nos conduz em Sua perfeição!

Que Deus nos guarde e nos preserve em Si mesmo, amém!

Rev. Eugênio Honfi.

quinta-feira, 26 de março de 2020

TRANSFORMADO PARA TRANSFORMAR








Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.1-2)

            Deus ordenou a Abraão que esse se dirige-se para um lugar, que Ele lhe mostraria; Deus trocou o nome de Jacó, para Israel; Deus alterou a condição do jovem Davi de pastor de ovelhas para Rei, sobre seu povo; Deus modificou o ofício de Pedro, Tiago, João e André de pescadores de peixes, para pescadores de homens; Deus tornou Saulo, aquele que era perseguidor do Evangelho, em Paulo, o perseguido por amor ao Evangelho, esses são apenas alguns exemplos da ação de Deus, que muda e transforma, coisas e também, pessoas.
            Talvez você possa estar se perguntando: E daí!!! O que isso tem a ver comigo??? Que excelente pergunta!!! Então vamos pensar um pouco sobre o assunto. Inicialmente podemos identificar que as pessoas, via de regra, possuem uma forte disposição e desejo para mudanças e alterações. Sobretudo dentro de um ponto de vista muito próprio e definido. Esse padrão está envolto e permeado por aquilo, que achamos certo, belo e aprazível. Quando fazemos uma análise franca e sincera sobre esse padrão, facilmente percebemos e concluímos que na verdade estamos externando nosso egocentrismo egoísta, ou seja, achamos que somos o centro e a medida de todas as coisas. E tudo, tudo mesmo, deve girar em torno de nós mesmos, para que seja tido como perfeito!
            Nesse viés, consequentemente vamos descobrir, e da pior forma possível, que nossos conflitos são causados, não por culpa dos outros, mas por nós mesmos! Uma vez que, esses são o fruto da imposição a ferro e a fogo, do nosso ponto de vista, sobre os demais. Alguns afirmam de forma categórica: “Eu estou certo e todos os outros errados!” Pelo termo outros, entenda-se inclusive Deus! Isso é assustador e aterrorizante! Pois, como pode o homem limitado e imperfeito, atribuir a Deus erro em Seus santos e eternos, propósitos e ações! Tamanha blasfêmia, para com Aquele que é perfeito, pois tudo O que faz e realiza é com perfeição, uma vez que seus atos de justiça revelam Sua santa natureza, que também é perfeita!
            Assim, tanto nós como os outros é que carecemos de mudança!!! E essa modificação precisa ser tão profunda, que ao tocar nas questões basilares de nossos corações, altere nossa essência de tal maneira, que possa ser encarada, muito mais que uma alteração de vida! Na verdade, ela se constitui em uma vida completamente nova, renovada, reformulada, recuperada, restaurada, isto é, uma nova vida. E isso não está no meu, ou no seu alcance, já que a partir de nós mesmos, isso é absoluta e categoricamente impossível. Mas só Deus, que é plena e totalmente poderoso, pode proporcionar eficaz e eficientemente tal transformação!
            Portanto, Deus é quem realiza essas mudanças e transformações em nossas vidas. Pois nos garante: que os nossos pensamentos e caminhos não são os dEle (Is 55.8); que é Ele, quem pode tudo e que seus planos não são frustrados (Jó 42.2); que é Ele, quem opera tanto o querer como o realizar (Fl 2.13); ainda que foi Ele, quem nos libertou e nos transportou para o Seu Reino (Cl 1.13); que independe da vontade da carne e da vontade do homem, mas de Sua vontade (Jo 1.13); que nós só o amamos, porque foi Ele que nos amou primeiro (1Jo 4.19), a bem, de tantas outras passagens, que o Soberano Senhor atesta essa eterna verdade.
            Assim, cuide você, para que não esteja se colocando contra o Deus Eterno e as transformações operadas por Ele. Se coloque submisso a vontade boa, perfeita e agradável do Senhor. É Ele quem nos transforma, para que possamos transformar o mundo ao nosso redor. Nas contundentes palavras do apóstolo, que assevera: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente” (Rm 11.36).
            Em Cristo Jesus, Senhor da seara. Vosso conservo, Eugênio Honfi.

quarta-feira, 25 de março de 2020

NOSSO CHAMADO! NOSSA VOCAÇÃO!



“...E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixando imediatamente as redes e o seguiram”. (Mt 4. 19-20).

Há quanto tempo você está seguindo o Mestre? Durante essa caminhada você tem observado as pessoas ao seu redor? Os acontecimentos que o cercam? Ou você e daqueles, que só se preocupam com a paisagem e com os selfies que podem ser tirados, cujo propósito é nada mais e nada menos, que postar em suas redes sociais, a fim de aumentar seus seguidores e sua popularidade, ainda, que a vida seja vazia, sem sentido e deprimentemente solitária, apesar de tanta gente sorrir na hora do registro fotográfico.
Jesus nos chamou não para sermos astros, mas para atuarmos de forma contundente e contumaz no palco da vida. Precisamos lembrar que estamos de passagem, todavia não a passeio. Temos objetivo, meta e propósito. Nossas vidas possuem um norte e uma direção. Temos um chamado! Temos uma vocação! Muitas vezes confundida com outros afazeres de só menos importância, diante de sua urgência e essencialidade. Ora, fazemos inúmeras reuniões, ensaiamos por vezes, nos reunimos em comemorações e aniversários, também marcamos presença em eventos e festividades eventuais. Relegando a primazia de nosso foco a questões periféricas e marginais. O chamado e a vocação são imprescindíveis para nosso inato e cognitivo ordenamento pessoal.
Ao nos voltarmos para o texto das Sagradas Escrituras, acima supracitado, em que descreve o chamado do Messias aos irmãos Pedro e André. Que estavam em meio a sua jornada de trabalho, na execução de seu mister laborativo. Pedro e André estavam ocupados e com coisa séria. Comprometidos com o sustento de sua casa e engajados na empresa de pesca da família. Isso, porém, até Jesus irromper o ruidoso estampido dos ventos e o som estrondoso dos mares, que assolavam a embarcação atracada na costa do mar da Galileia. A inigualável voz, poderosa e doce, do Senhor impactou-os em seu chamamento, que imediatamente se desprenderam das redes e prestemente O seguiram. Sem desculpas, nem culpas. Sem despedidas, nem desperdícios. Sem preparativos, nem pressuposições.
Que lição preciosa! Demonstrada nesse ato de submissão obediência e fé. Submissão, pois reconheceram ser Cristo possuidor de maior autoridade, que seus pais, ou suas tradições e seus entendimentos. Obediência, haja vista, que não houve procrastinação, nem escusas, ou muito menos indisposição para atender o imperativo convite de Jesus. Fé, uma vez que, não lhes foi informado o plano de viagem, ou as escalas, nem dispostos quais seriam os víveres e suprimentos necessários a essa aventureira providencia venturosa. Enquanto nós ficamos ensaiando nossas falas, caras e bocas para não cumprirmos nossa vocação e chamado de anunciar o Senhor e Redentor. Aquele que sacia a fome de justiça e a sede pela vida. Que dissipa nossos temores e nos preenche de sua maravilhosa graça, amor e misericórdia.
A ação deles foi tomada em conjunto e em unidade. Necessitamos, nós também, desse direcionamento dado pelo Espírito Santo. “A seara é grande e pouco são os trabalhadores”, disse o Senhor (Lc 10.2). Não precisamos brigar, porque existe espaço para a ação de todos, quantos queiram contribuir na seara divina. Há muito serviço e imensa variedade de afazeres nessas atividades a serem desempenhadas. Entretanto, só será possível executá-las através da mais perfeita, sincera e verdadeira Koinonia. Que por sua vez, só acontece quando somos dirigidos pelo Santo Espírito, que procede do Pai e do Filho. Quando somos pacificados de nossos conflitos e vontades, para fazermos a vontade: boa, perfeita e agradável, do Soberano Deus.
E o Santo e Soberano Senhor nos conduza em meio a Seu chamado, para que permaneçamos como pescadores de homens, bem como, nos mantenha em alegria e ânimo a vocação de servos obedientes e fieis, até a volta de Jesus Cristo, Seu Filho, nosso Senhor e Salvador. Ao Deus Triuno a honra, a glória e o louvor, amém.

Rev. Eugênio Honfi