domingo, 29 de março de 2020

A DOR DA SOLIDÃO OU A BÊNÇÃO DA SOLIDÃO?







Jacó partiu de Berseba e seguiu para Harã. Quando chegou a certo lugar, ali passou a noite, porque o sol já se havia posto. Pegou uma das pedras do lugar, fez dela o seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir... Quando Jacó despertou do sono, disse: — Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia.

(Gênesis 28.10-11, 16 - NAA)



            Fomos criados por Deus para vivermos em comunhão! Primeiro com Ele, depois uns com os outros! Razão pela qual sentimos em nosso peito uma imensa e também intensa necessidade de nos relacionarmos! Esse desejo é da natureza constitutiva do homem, enquanto ser humano! Não importando a faixa etária em que estivermos, ou se estamos vivendo uma transição! Ou ainda, em meio às muitas transições do viver, que o simples fato de estarmos vivos nos impõe!

            Entretanto essa necessidade e desejo gregários nos geram muitos conflitos! Ora porque afirmamos:

                        - Ninguém me entende!

                        - Ninguém se importa comigo!

                        - As pessoas são egoístas!

                        - Cada um só quer olhar para si mesmo!

            E o famoso dito popular, que é uma deturpação das palavras do Senhor Jesus (Mateus 6.10): - Venha a nós Vosso reino nada!

                        Todas as expressões elencadas acima, bem como tantas outras são na verdade expressões de corações caídos, e que, por conseguinte, sempre permanecem com os olhares voltados para si mesmos! Lamentando o que acreditam ser o direito de cada um, no qual não está sendo respeitado! E que os leva entre outras resultantes o distanciamento dos outros, a tão temida solidão!

            É uma solidão interna, silenciosa, fria, doentia, fétida, apodrecida, pois é fruto em sua maior parte da rebeldia do distanciamento de Deus! Mas também existem outras circunstâncias é bem verdade! Tempos de guerra! Tempos de pandemia! Tempos de insegurança! Entre tantas outras situações que nos impõe a necessidade de inúmeras restrições à vida e aquilo que temos por normalidade de nossas existências! Há situações nas quais pessoas ponderam e escolhem finalmente o isolamento social, como alternativa de proteger-se de pessoas, de intenções, de afeições, de medos, de projeções próprias e tantas outras situações e possibilidades que é inimaginável nominá-las todas.

            Quando nos voltamos ao texto da Sagrada Escritura supracitada acima, nos deparamos com o patriarca Jacó, em meio a um ciclo muito particular de sua vida! O contexto próximo nos informa que ele havia juntamente com Rebeca, sua mãe, tramado uma estratégica encenação, na qual mentiu e enganou seu pai! E roubou a primogenitura de seu irmão mais velho! O retrato de uma família dividida, que apesar de todos estarem posando sorridentes para a mesma fotografia, cada um vive uma vazia e triste realidade, independente da necessidade do outro! Vivendo uma confusa e perturbadora contradição, uma vez que convivem juntos, mas separados! Ou separadamente juntos em meio às inclinações narcisistas do caído coração humano!

            Jacó como tantas outras pessoas estão sozinhas em meio às caminhadas! São tantas idas e vindas! Tantas rupturas! Tantos anseios! Tantos temores! A permanente busca de sentido para a vida! Ou talvez a peregrinação na realização de objetivos fáceis ou difíceis, simples ou complexos, específicos ou múltiplos, são algumas das conjecturas possíveis e palpáveis. No caso do patriarca em questão, ele empreendeu a busca de uma esposa, do início de sua própria família. De como haveria de sustentar sua casa. Mas o que ele não tinha em mente, e nem havia marcado na agenda de sua vida era a da descoberta de sua própria identidade! E a cura de todas as mazelas de sua jovem, cansada e angustiada alma.

            Como transeunte, longe do conforto e comodidade do seio familiar, sem recursos, ao relento da noite, sozinho toma uma pedra para apoiar sua cabeça e adormece! Fico pensando quantos pensamentos não povoaram sua mente até que adormecesse? Quantas vezes ele não desejou retornar para a casa de seus pais? Quantas vezes não ensaiou suas desculpas, para que pudesse ser reintegrado a intimidade da sua família? Quanta vez não pontuou nos dedos, as desavenças com seu irmão e que foram perdoadas, assim lançadas ao esquecimento? Quantas vezes não foi tomado por variados temores voltado ao desconhecido? Quantas vezes não refletiu sobre como seria a recepção de Labão, seu tio, ou pelos demais parentes? Quantas vezes ele não sentiu verdadeiro e sincero arrependimento, mas ainda assim vergonha para retornar? Tantos questionamentos, tantas dúvidas, tantos temores, certamente a melhor coisa a fazer, senão a única possível era apenas dormir, para no dia seguinte continuar sua jornada.

            Tendo adormecido, Jacó sonha! Não foi um sonho como os outros, anteriormente vivenciados! Esse foi diferente! Singular! Em meio à dor da solidão, ele conhece através da graça divina a auto revelação de Deus, por meio de uma escada que ligava o céu a terra! Na qual contemplou seres celestiais subindo e descendo! Que visão aterrorizantemente espantosa! Ele acorda atônito e reconhece que estava longe das pessoas, das coisas, das situações, mas não de Deus! Que descoberta! Você pode fugir da presença de pessoas, de coisas e até mesmo de situações, mas não terá nunca, como fugir da presença do SENHOR! Ele se faz presente em toda a face da terra, mas também nos céus lugar de sua habitação, bem como nas profundezas dos mares, e isso ao mesmo tempo! Ele é maior que toda a imensidão do cosmos, na verdade toda a criação repousa segura nas palmas de Suas santas e poderosas mãos!

            A solidão vista certamente como uma maldição! Agora se demonstra como bênção para Jacó, pois nada e nem ninguém poderia desviar sua atenção, ou gerar em seu coração competição! Nesse momento ele dispõe-se completa e unicamente para contemplar a Deus! Ele tira até mesmo os olhos de si e foca a beleza de seu Criador! Nem ao menos se permite dispor-se a alimentar seus temores pessoais, ou chorar suas próprias misérias! Ao contrário! Ele se rende a grandiosidade e graciosidade de Deus! Em sua asseveração irrompe o sepulcral silêncio e diz: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia”, (Gn 28.16). A grandiosidade de Deus fez Jacó perceber que temores e dificuldades são apequenados! Já a graciosidade do Criador em auto revelar-Se deu ao patriarca a devida compreensão de sua limitação, pequenez e ignorância!

            O filho do filho da promessa declara ainda: “Quão temível é este lugar! É a casa de Deus, a porta dos céus” (Gn 28.17). Ele efêmero, imperfeito e transitório aponta para a perfeita e incorruptível santidade do Eterno. Entretanto a sua declaração final é profundamente consoladora, pois ao sinalizar a casa de Deus, o neto de Abraão aponta para a fidelidade do cumprimento da promessa que viria a ser cumprida na pessoa do Redentor, o Senhor Jesus! Uma vez que os anjos estão descendo e subindo podemos afirmar que a Porta dos céus ainda está aberta! Jesus afirmou que Ele é a porta (Jo 10.7). Também disse que aquele que viesse a Ele não seria lançado fora (Jo 6.37)! Veja que foi necessário estar só, para que Jacó pudesse refletir e se aperceber o quanto ele necessitava da presença de Deus a seu lado!

            Podemos assim concluir que na falta de familiares e amigos, podemos até pensar que estamos sozinhos, todavia jamais desacompanhados! Que na ausência de pessoas podemos desfrutar da presença de Deus de uma forma mais intensa e sem arrodeios! Que em durante os momentos de introspecção da alma haveremos de encontrar o melhor e mais excelente tesouro, a companhia do Senhor conosco! Que o Senhor se digne não apenas a estar ao nosso lado, mas, sobretudo a nos suster em suas graciosas e dadivosas mãos! E que nós mantenhamos nosso coração na presença do Amado de nossas almas!

            O que para tanto devemos urgentemente aplicarmos a verdade bíblica as nossas vidas, apesar desses dias, em que a calamidade tem batido a porta de todos nós e nos atormentado por meio de medos, incertezas e solidão! Tenhamos uma outra postura!

1.      Vejamos esse tempo, como dádiva do Pai Celestial para que o busquemos, de todo o nosso coração!

2.      Em vez de lamentar, murmurar e reclamar. Disponha seu coração a agradecer e seus lábios a louvar o Santo Nome do SENHOR!

3.      Pense nos outros que vivem na mais completa escuridão, por não possuírem a mesma alegria e esperança que você tem em Cristo Jesus. E compartilhe dessa abençoada e abençoadora salvação, para a gloria de Deus!

4.      Ore e suplique ao Pai do Céu que desperte e fortaleça a sua igreja ao redor do mundo a que viva a verdade do evangelho, ainda que em dias maus, a fim de testemunhar do Senhor Jesus!

5.      Clamemos ao Senhor que nos sustente e nos guarde, mas também que abrevie esses dias que antecedem o retorno do Senhor!

            Fraterno e cordial abraço. Em Cristo Jesus, Senhor da seara. Vosso conservo, Rev. Eugênio Honfi.

sábado, 28 de março de 2020

TRANSFORMAÇÃO





...todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas; ... e o Senhor lhe mostrou uma árvore; lançou-a Moisés nas águas, e as águas se tornaram doces. (Êx 15.23 e 25)

            Quantos amargores, nós já não experimentamos! Adversidades familiares, perseguições profissionais, revezes relacionais, entre outros, são apenas algumas das complexas dimensões enfrentadas por qualquer um de nós, mas também, por todos nós! Uma vez que, a ideia da grama mais verde é só um mito, uma projeção do desejo interior, sobre a conjuntura exterior. Os fatos por vezes são bem diferentes! Eles são reais, duros e frios. Razão pela qual muitos são abatidos e uma vez prostrados não possuem forças para levantarem-se.
            Nos diz as Escrituras: todavia, não puderam beber as águas de Mara, porque eram amargas;”. As decepções e frustrações, as incertezas e dúvidas nos consomem de tal forma, que passamos a viver uma vida subjugada ao medo e ao pavor, onde a angustia e o pânico nos exaurem as alegrias, minam as forças e afadigam as motivações para viver. Nos tornamos inertes, tanto na alma, quanto na volição. Uma vida pautada na ausência de sonhos e de movimentos, não passa de uma vida vegetativa. Sem sabor algum, completamente absorta. Isolados de tudo e de todos, inclusive de nós mesmos. Assim, em meio das insatisfações, das mau carências e querências, vamos nós caminhando e tropeçando, todavia sem reconhecermos, que na verdade, o que estamos tentando fazer é fugir desesperadamente, para um lugar que nos ofereça abrigo e conforto, que não conseguimos encontrar! E a essa altura, já estamos inteiramente entregues, nosso semblante revela muito mais do que os sinais de um tempo passado, também revela as cicatrizes das aflições do coração e o colorido das feridas apostemadas da alma, que ainda ardem em súplica pela restauração! Esse é o retrato de uma vida amarga!
            Os Oráculos divinos revelam que: “o Senhor lhe mostrou uma árvore”. O Senhor mostrou a Moisés o meio pelo qual a transformação acontece. Não possuímos recursos a partir de nós mesmos para mudar! Sabemos que a transformação não é fruto do nosso empenho, ou da nossa perseverança; nem da nossa vontade, ou da intensidade de nossas ações. Caso dependesse de nós estaríamos e continuaríamos perdidos, logo aquilo que necessitamos, também está além de nós, ainda que tão próximo a nós! Assim, o que necessitamos é da Pessoa Santa e Bendita de Jesus! Pois Ele é: O Justo que nos perdoa os pecados e nos purifica de toda injustiça (1Jo. 1.9); Quem se compadece de nossas fraquezas (Hb 4.15); O nosso único e suficiente Mediador (1Tm 2.5); O Cabeça da Igreja (Ef 1.22); Que nos amou primeiro (1Jo 4.19); Quem nos aperfeiçoa, firma, fortifica e fundamenta (1Pe 5.10); Que nos gerou pela Palavra da Verdade (Tg 1.18); Que nos escolheu e nos faz frutificar (Jo 15.16). Jesus é o meio pelo qual fomos alcançados, perdoados, libertos, salvos, enfim transformados.
            O texto nos assevera ainda que: “as águas se tornaram doces”. E uma ação completa de Deus. Sua maravilhosa e benfazeja graça nos toma de tal forma, que nossa natureza é demudada, modificada, alterada em sua essência. Ele nos transforma! Louvor e glória pois Lhe sejam tributados. Pois é Deus que em nós opera grande obra. Ele nos demove: do império das trevas, para o Reino do Céu (Cl 1.13); da maldição do pecado, para a benção da Graça (Rm 6.14); da condição de filhos da ira (Ef 2.3), para filhos de Deus (Ef 1.5); da velha natureza, para a nova natureza (Rm 5.12-21). É Ele que age e nós é que “sofremos” Sua ação. Ele é ativo, nós passivos. Entretanto, quando Ele intervém, aquilo que estava em desordem, que padecia em meio ao caos, que se esvaia ao ponto da mais completa estagnação. De forma sobrenatural é modificado, deixa de ser o que era, uma caricatura! Para agora, após a ação plena do pleno Deus, passar a ser e a existir de forma completa e perfeita. Deus é o agente da transformação!
            Eu e você precisamos de Deus. Nós carecemos do Senhor em nossas vidas. É Ele quem opera a mudança em nosso ser. Ele acrescenta em nós a nova, santa e perfeita natureza de Cristo. Para que como transformados, possamos viver nova vida. Uma vida plena e transbordante, através do Espírito de Cristo. Para que assim possamos nós viver, vida santa, piedosa e agradável ao Senhor. Leia as Escrituras, ore, jejue, congregue junto aos irmãos, partilhe do pão e do fruto da videira, cultive os frutos do Espírito, seja um abençoador, pois as amarguras de uma vida distante de Deus, em nada se compara a uma vida de pleno dulçor aos pés de Cristo Jesus, o Senhor!
            Em Cristo Jesus, Senhor da seara. Vosso conservo, Rev. Eugênio Honfi.

sexta-feira, 27 de março de 2020

SENHOR: ABRE MEUS OLHOS E PURIFICA MEU CORAÇÃO!






“Que queres que eu te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja.” (Lc 18.41).



Diz o adágio popular: “O pior cego é aquele que não quer enxergar”. Vivemos atualmente dias de profunda dificuldade e insegurança. Em todo o mundo observa-se aumento da violência, crescimento da corrupção, degradação da família, desfazimento da moral e dos valores. A arrogância, a prepotência, a vaidade e o orgulho têm engolfado os corações e as mentes.

Como resultado desse catastrófico quadro, a desobediência e a rebeldia ocupam o centro do palco e das almas daqueles que tomados por Lúcifer, vem causando divisões, porfias e contendas, por quaisquer lugares em que passem, destilam sua peçonha mortal e infernal. Todavia não devemos estranhar, mas ao contrário, guardar a advertência feita pelo apóstolo Paulo, ao jovem pastor Timóteo (2Tm 3.1-5): “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta- te também desses”.

É nesse sentido, que todos nós precisamos urgentemente suplicar a Deus que nos esvazie de pressuposições tolas, de doutrinas alheias as Escrituras, da vacuidade pecaminosa, que causa separação, entre nós e Deus, bem como, entre nós mesmos. Que o Senhor intervenha, abrindo nosso entendimento a Sua Palavra, inclinando nosso coração a amá-Lo, aquecendo nossa alma, ante a frieza gélida da soberba, nos conduzindo através do Seu Espírito e faça-nos transbordar em “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade. mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23)”. Trazendo-nos a memória as características, do cristão, descritas por Jesus, no sermão da montanha: As Bem-aventuranças.

Enfim, que Deus nos dê a compreensão de que, quando a tradição invalida o mandamento de Deus é porque a honra é só da boca para fora, pois o coração está longe d’Ele. Então é da vontade de Jesus, honrarmos a Deus e não as tradições. Nas palavras de John MacArthur: “Quando as falsas doutrinas não são combatidas, elas geram mais confusão e atraem mais pessoas superficiais e insinceras para dentro do aprisco”.

Que o Senhor purifique sua Igreja dos lobos e de seus falsos ensinos. Supliquemos: - Senhor, que eu veja! E assim os olhos do nosso coração sejam abertos, a fim de que contemplemos a beleza do Senhor em Seu Ser, mas também em Seus poderosos feitos! Que possamos nós olhar para acima das densas nuvens de desconfiança e contemplemos Aquele que é o Sol da Justiça! Aquele que não sofre mudança, pois Ele é Perfeito! Dia a dia nos aperfeiçoa e nos conduz em Sua perfeição!

Que Deus nos guarde e nos preserve em Si mesmo, amém!

Rev. Eugênio Honfi.

quinta-feira, 26 de março de 2020

TRANSFORMADO PARA TRANSFORMAR








Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.1-2)

            Deus ordenou a Abraão que esse se dirige-se para um lugar, que Ele lhe mostraria; Deus trocou o nome de Jacó, para Israel; Deus alterou a condição do jovem Davi de pastor de ovelhas para Rei, sobre seu povo; Deus modificou o ofício de Pedro, Tiago, João e André de pescadores de peixes, para pescadores de homens; Deus tornou Saulo, aquele que era perseguidor do Evangelho, em Paulo, o perseguido por amor ao Evangelho, esses são apenas alguns exemplos da ação de Deus, que muda e transforma, coisas e também, pessoas.
            Talvez você possa estar se perguntando: E daí!!! O que isso tem a ver comigo??? Que excelente pergunta!!! Então vamos pensar um pouco sobre o assunto. Inicialmente podemos identificar que as pessoas, via de regra, possuem uma forte disposição e desejo para mudanças e alterações. Sobretudo dentro de um ponto de vista muito próprio e definido. Esse padrão está envolto e permeado por aquilo, que achamos certo, belo e aprazível. Quando fazemos uma análise franca e sincera sobre esse padrão, facilmente percebemos e concluímos que na verdade estamos externando nosso egocentrismo egoísta, ou seja, achamos que somos o centro e a medida de todas as coisas. E tudo, tudo mesmo, deve girar em torno de nós mesmos, para que seja tido como perfeito!
            Nesse viés, consequentemente vamos descobrir, e da pior forma possível, que nossos conflitos são causados, não por culpa dos outros, mas por nós mesmos! Uma vez que, esses são o fruto da imposição a ferro e a fogo, do nosso ponto de vista, sobre os demais. Alguns afirmam de forma categórica: “Eu estou certo e todos os outros errados!” Pelo termo outros, entenda-se inclusive Deus! Isso é assustador e aterrorizante! Pois, como pode o homem limitado e imperfeito, atribuir a Deus erro em Seus santos e eternos, propósitos e ações! Tamanha blasfêmia, para com Aquele que é perfeito, pois tudo O que faz e realiza é com perfeição, uma vez que seus atos de justiça revelam Sua santa natureza, que também é perfeita!
            Assim, tanto nós como os outros é que carecemos de mudança!!! E essa modificação precisa ser tão profunda, que ao tocar nas questões basilares de nossos corações, altere nossa essência de tal maneira, que possa ser encarada, muito mais que uma alteração de vida! Na verdade, ela se constitui em uma vida completamente nova, renovada, reformulada, recuperada, restaurada, isto é, uma nova vida. E isso não está no meu, ou no seu alcance, já que a partir de nós mesmos, isso é absoluta e categoricamente impossível. Mas só Deus, que é plena e totalmente poderoso, pode proporcionar eficaz e eficientemente tal transformação!
            Portanto, Deus é quem realiza essas mudanças e transformações em nossas vidas. Pois nos garante: que os nossos pensamentos e caminhos não são os dEle (Is 55.8); que é Ele, quem pode tudo e que seus planos não são frustrados (Jó 42.2); que é Ele, quem opera tanto o querer como o realizar (Fl 2.13); ainda que foi Ele, quem nos libertou e nos transportou para o Seu Reino (Cl 1.13); que independe da vontade da carne e da vontade do homem, mas de Sua vontade (Jo 1.13); que nós só o amamos, porque foi Ele que nos amou primeiro (1Jo 4.19), a bem, de tantas outras passagens, que o Soberano Senhor atesta essa eterna verdade.
            Assim, cuide você, para que não esteja se colocando contra o Deus Eterno e as transformações operadas por Ele. Se coloque submisso a vontade boa, perfeita e agradável do Senhor. É Ele quem nos transforma, para que possamos transformar o mundo ao nosso redor. Nas contundentes palavras do apóstolo, que assevera: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente” (Rm 11.36).
            Em Cristo Jesus, Senhor da seara. Vosso conservo, Eugênio Honfi.